quinta-feira, 13 de julho de 2017

Caramujos Africanos – Questão de Saúde Pública


Tenho o costume de observar as questões ambientais quando dos meus deslocamentos em viagens e principalmente quando ando pelas ruas da cidade de Barra Velha onde moro. Nas últimas semanas uma coisa tem me chamado atenção. Tenho notado com crescente preocupação observar um gradual aumento na ocorrência de caramujos africanos em terrenos baldios e abandonados.
Só para que todos possam entender do que estou falando, trata-se de um molusco que na década de 1980 foi trazido ao Brasil como uma expectativa de alternativa econômica gastronômica ao escargot, delicatesse da culinária francesa. Esse molusco foi introduzido inicialmente no Brasil de forma ilegal por ocasião de uma feira agropecuária realizada no interior do Paraná. Na segunda vez que ele tornou-se presente foi por um funcionário do Porto de Santos que pretendia iniciar um criatório comercial desse molusco na cidade de Praia Grande, litoral de São Paulo.
O Caramujo Gigante Africano (Achatina fulica) acabou se tornando uma praga urbana e rural por motivo de sua comercialização não ter tido sucesso no Brasil. Assim, os então produtores naquela época acabaram por se desfazerem do seu plantel soltando-os na natureza de forma indiscriminada, fato que culminou transformando-o caramujo em uma praga. Em áreas rurais não houve expressivo aumento no aparecimento de mais indivíduos, mas nas cidades nota-se cada vez mais o aumento deles ao redor das casas.


Estes caramujos quando adultos chegam a medir 10 cm de concha pesando em torno de 100 g. Reproduzem-se de forma assexuada sendo hermafroditas, ou seja, não necessitam parceiros para reprodução.  Tem alto índice reprodutivo chegando a 5 posturas anuais com 100 a 500 ovos por postura.  Sua atividade aumenta na época das chuvas e intensa umidade bem como é mais ativo e resistente durante o inverno. Busca se proteger durante o dia dos raios solares que podem queimar suas mucosas saindo dos seus abrigos durante a noite ou em dias nublados para alimentar-se e reproduzir-se.
O caramujo africano possui sua concha ou casca de coloração marrom, cinza escuro ou levemente arroxeada com listas mais claras em tons amarelos. Considerado em muitos países uma espécie invasora acaba tendo poucos predadores mas segundo algumas observações feitas, em ambientes urbanos tem sido predado pelo rato doméstico ou ratazanas. Em áreas rurais seus predadores naturais são o gambá e algumas cobras come-lesmas o que explica a sua menor incidência em áreas de matas e florestas preservadas.


O maior problema apresentado pelo caramujo africano é questão de saúde pública pois apresenta a característica de transmissão para o ser humano do verme Angiostrongylus cantonensis causador da meningite,  sendo o hospedeiro natural e transmissor desse verme. Também transmite o verme Angiostrongylus costaricensis que produz infestação abdominal por vermes de forma bastante agressiva. O Caracol ou Caramujo Africano acaba se tornando um vetor na transmissão da dengue e febre amarela sendo que estudos já comprovaram que existe a deposição de ovos e larvas de mosquitos nas suas conchas vazias quando da morte do indivíduo.
Desde 2003, o IBAMA decretou ilegal a sua criação e decretou a extinção dessa espécie que além dos problemas apresentados para a saúde humana ainda é altamente voraz chegando a destruir lavouras inteiras de vegetais destinadas ao uso humano. Por incrível que pareça, quando criado de forma controlada em viveiros com higiene, alimentação balanceada e demais cuidados a sua carne é perfeitamente consumível e segundo informações que recebi muito saborosa. Paladares à parte a recomendação é muito cuidado com o manuseio dos espécimes que são encontrados na natureza estando contaminados e impróprios ao consumo.


A forma mais eficiente no combate contra o caramujo africano é inicialmente identificá-lo de forma correta para não ser confundido com outras espécies naturais e nativas. O segundo passo é manuseá-los sempre com luvas ou algum saco plástico descartável e aplicar sobre eles uma solução concentrada de cloro ou sal. Muitas vezes temos o hábito de esmagá-los com um sapato pisando sobre ele. Esse costume pode ser perigoso, pois os ovos do caramujo podem aderir ao solado do calçado sendo espalhados e aumentando ainda mais a contaminação. Não é recomendado utilizar produtos químicos como pesticidas no controle do caramujo, pois além de pouco eficiente esse procedimento ainda contamina o solo e o lençol freático e águas subterrâneas. O método mais indicado é fazer a coleta dos espécimes e encaminhar a Secretarias Municipais de Saúde e Vigilância Epidemiológica para o correto descarte, podendo como alternativa colocar os moluscos em uma vala cavada no solo e incinerá-los. Esse processo é o mais eficaz, pois controla e extermina todos os ovos que ficam presos ao caramujo e às suas fezes.
Um detalhe muito importante é quanto ao consumo das hortaliças domésticas que existem em locais onde o caramujo africano vive nas cidades. A contaminação é muito alta nesse ponto quando o caramujo se alimenta dessas hortaliças caseiras. Realizar uma higienização com cloro durante 15 minutos em molho e enxaguar com muita água limpa corrente é a chave para se evitar problemas de saúde! O fato de que na nossa cidade estão aparecendo muitos caramujos deve ser encarado com seriedade pelas autoridades sanitárias locais. Todas essas fotos flagrei em ruas e logradouros de Barra Velha! Muito cuidado então ao deparar-se com o temido Caramujo Africano!


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